Casemiro se reinventou. O problemático volante que brilhou nas categorias de base do Brasil encontrou o bom futebol na Europa

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Foram apenas dois jogos, mas Casemiro mostrou seu cartão de visitas. Depois de um período conturbado no São Paulo que o afastou das convocações do Brasil, até agora, dois gols e uma partida inspiradora contra o Lyon neste início de trabalho de Carlo Ancelotti à frente do Real Madrid.

Fiel defensor de bons volantes desde os tempos de Milan, o treinador italiano está encantado com o bom futebol do brasileiro. É claro que vale lembrar que este é apenas o início da pré-temporada para vários clubes da Europa, mas até aqui o saldo é mais do que positivo.

Com uma firmeza digna dos tempos de categoria de base do São Paulo e de Seleção brasileira, Casemiro mostrou que seu problema nos últimos meses de clube paulista foi o desinteresse. Bastou a mudança de ares, o breve estágio no gigante espanhol e tudo mudou, veio o contrato com o Real e a possibilidade de jogar ao lado de estrelas do futebol mundial.

Na partida de hoje, contra o tradicional multicampeão francês, Lyon, o jovem revelado em Cotia, mesmo saindo do banco de reservas, foi o destaque entre tantos jogadores badalados, como Mezut Ozil e Cristiano Ronaldo. Responsável por um dos gols no empate em 2 a 2, ele também mostrou qualidade segurando o time atrás e com bons passes na saída de bola.

Motivado, Casemiro já mostrou que tem muita lenha para queimar na temporada e, faltando menos de um ano para a copa do mundo no Brasil, talvez ele tenha acordado e descoberto que tem futebol para fazer parte do grupo de Felipão que tentará levantar a taça em 2014.

Na contramão no resto da Europa, Barcelona contratou um técnico com o perfil de “paizão”. Boa notícia para Joel Santana…

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O Barcelona anunciou no último dia 22, a contratação do técnico argentino Gerardo Martino, de 50 anos, com boas passagens como treinador da seleção paraguaia e, mais recente, pelo Newel’s old Boys, da Argentina, eliminado pelo Atlético-MG nas seminifinais da taça Libertadores da América.

O curioso da escolha – além da enorme variedade de nomes à disposição no mercado europeu – se deu pelo perfil do treinador, conhecido como “Tata” Martino, que foge do atual padrão de “manager”, uma tendência no futebol europeu. Nos clubes onde passou, ele é marcado pela relação muito próxima com peças fundamentais da equipe e vem ao Barça com um propósito em mente: trabalhar para manter o alto nível da equipe no cenário europeu, com uma postura ofensiva e, talvez com mais destaque, para montar com Messi e Neymar, o melhor ataque do velho continente.

Se a postura virar moda por lá, será que essa pode ser uma boa notícia para o nosso folclórico “papai” Joel Santana?

Brincadeiras à parte, a fase do Barcelona é comum no futebol. A equipe passa por uma fase de renovação no elenco e busca alternativas para peças envelhecidas e para setores onde a qualidade ainda não se compara ao ataque, por exemplo. Em função disso, a direção catalã tentou por diversas vezes a contratação de jogadores como Thiago Silva e Marquinhos, ambos zagueiros, de PSG e Roma, respectivamente.

Com a negativa francesa e com a venda de Marquinhos para o próprio clube detentor dos direitos de Thiago, a alternativa é voltar a olhar para o mercado e a chegada de Tata Martino servirá para determinar essas e outras prioridades para voltar a brilhar forte na Champions League, principal competição da temporada.

Para muitos, o objetivo do Barça ao trazer Martino é um pouco diferente, agradar a estrela da companhia, Lionel Messi. A conversa já foi negada pelo próprio jogador, que nutre um grande respeito pelo treinador, ídolo de infância e amigo da família do atleta. Verdade ou não, “Tata” chega à equipe com várias dúvidas e uma certeza: fará com que o mundo catalão gire – um pouco mais – ao redor do craque argentino.

Em pré-temporada, o Bayern já mostra os resultados do efeito Pep Guardiola. Os bávaros aprenderam a tocar a bola

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O novo modelo de toque de bola no futebol moderno não é mais de um clube azul-grená vindo da Catalunha, mas sim de um grupo de guerreiros de vermelho que residem na capital alemã, eles aprenderam a jogar outro tipo de futebol.

O troféu Uli Hoeness ficou sem segundo plano. Foram pouco mais de 90 minutos de amistoso pré-temporada entre Barcelona e Bayern de Munique, na Alemanha. No fim do jogo, 2 a 0 para os bávaros e uma constatação: O velho jargão criado pelos brasileiros, de que os alemães jogavam algo muito parecido com futebol, já não vale mais. Com Pep Guardiola, eles aprenderam a rodar o jogo, esperar o melhor momento… aprenderam a “cozinhar” o adversário.

Para quem acompanhou apenas o jogo dessa quinta-feira, dia 24 de julho, é possível compreender a evolução. Para os outros que viram todos os jogos deste início de temporada européia, existe a certeza de que o toque do técnico espanhol já muda os ares do futebol na Alemanha. Ainda sem o traquejo do Barcelona, o time do Bayern tocava a bola e evitava os chutões e buscava sempre a melhor alternativa para sair jogando.

De lado a lado do campo, era perceptível o desejo de mostrar aos jogadores do barça que eles não eram os únicos a jogar com a bola nos pés por tanto tempo, mas com uma característica diferente que veio para completar a filosofia de Pep. O tradicional chutão alemão é uma sombra sobre qualquer jogador germânico – assim como a bola alçada na área é para os ingleses, por exemplo – e nenhum técnico nega que isso ainda é uma real alternativa, entretanto, a partir de agora ele muda de lugar, saindo da defesa para a entrada da área adversária.

Foram seguidos chutes de Ribéry e Cia. Cada oportunidade de lançar uma bola na área do goleiro da equipe catalã era aproveitado e repetido. Feio? Longe disso. Precisos, os lançamentos com bola rolando e parada mostraram a variedade de jogadas e evidenciaram como essa equipe será “encardida” em 2013.

E o Barcelona? Ainda sem Neymar, o time se ressentiu de seus zagueiros, de bons laterais e da firmeza do meio de campo considerado por muitos como o melhor do mundo. Apesar disso, não existem motivos para preocupação. Aguardando a chegada do novo técnico, Tata Martino, e o retorno de seus principais titulares, a equipe vai voltar a ser forte na Europa como sempre.